Numa noite dessas, assistindo a um comercial de televisão, deparei com três marmanjos dentro de um carro, cada um querendo se vangloriar mais que o outro sobre as conquistas da noitada anterior. Peguei essa! Peguei aquela! Ou seja: todos pegaram todas! A última, fantasiada de dragão, era a atriz Ísis Valverde.
Aqui, vale lembrar de uma recente conquista feminina em relação à exploração das mulheres em comerciais de cervejas, nos quais geralmente elas apareciam seminuas, transformadas em objetos de desejo sexual etc. E não é que as propagandas se tornaram até mais
interessantes, menos apelativas e com boas sacadas de humor? Bravo!
No
entanto, há outras peças publicitárias que
insistem em associar a imagem feminina (sexualmente estereotipada) à
virilidade. A fórmula é sempre a mesma: carro possante/potente = homem bem-sucedido/irresistível/garanhão.
Daí,
eu me pergunto: será que é verdade? De fato, as mulheres ligam para isso? Não sei, não.
Tenho minhas dúvidas.
Porém,
se não me engano, na década de 1980, soube que uma
professora universitária havia produzido um trabalho acadêmico sobre a relação dos
homens com seus carros. Segundo a socióloga, para a maioria dos homens, o carro
seria uma extensão do pênis. Algo, é claro, do subconsciente. O carro
seria a casa que muitos não têm e/ou nunca tiveram (saíram da casa dos pais
para morar na da esposa, dos filhos etc.). Também seria uma espécie de
cúmplice/confidente fiel dos desejos e fantasias mais inconfessáveis. Enfim, mais que um simples carro, um troféu.
Nessa
linha de raciocínio, posso até entender a razão de as propagandas de carro
sempre apelarem para os mesmos roteiros: potência, sedução, aventura e status.
Assim,
é natural que coroas sonhem com carros esporte, conversíveis, velozes... É uma forma de
resgatar a juventude perdida. Faz sentido.
