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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Muy niños, pero más libres




Domingo passado, assistimos a este filme argentino: Esteros, rodado em Passo de los Libres (fronteira com Uruguaiana, minha terra natal). É muito singelo, tão puro e simples como as melhores lembranças que a gente tem da puberdade/adolescência. Óbvio, se tivesse sido uma produção brasileira, seria hoje apedrejado pelos moralistas de plantão. Diriam que é propaganda de sexo entre menores, incentivo à homossexualidade, filme para excitar pedófilos, enfim, toda aquela ladainha da indústria do pecado – aliás, cada vez mais próspera.

Ora, mesmo que platônico e/ou sem sexo, quem não teve uma primeira paixão nessa idade? Quem não deu aquele beijinho escondido? Quem não brincou de médico? Quem, lá dos Pampas, já não tomou banho de açude? Eu tomei até pelado, claro. Era muito bom. Ah, é verdade... tinha o problema das sanguessugas. Tive sorte; nunca vieram em mim. Nem elas me quiseram...

Esteros está disponível na NET.

Para os parentes e amigos da fronteira, esse filme vai tocar no coração de modo mais intenso. Ir para Libres era um passeio obrigatório para todos nós. Comprar patins, então, o sonho da maioria da minha geração. Embora mostrem poucas cenas em plano geral, dá para ver um pouquinho da cidade. Aparece até o carnaval dos correntinos. Houve um tempo em que o carnaval de rua deles era tão bom quanto o de Uruguaiana, que é famoso (às vezes, até superava o nosso). Lança-perfume à vontade (que já era proibido no Brasil).

É, o Brasil e os seus freios! 

Se proibição desse algum resultado positivo, seríamos uma potência imbatível. 

Mas, voltando... Como eu disse, o filme e a trama são bem simples (quase clichê de romance proibido). As imagens vão pegar mais na nossa memória...

Tem participação de atores brasileiros.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Por que uso um sobrenome e não outro?




Algumas pessoas (do Sul, principalmente) costumam me perguntar isso. 

Vamos lá... 

Com pouco mais de 19 anos, quando escrevi para cinema pela primeira vez (e meu nome teria que ir para os créditos de “argumento e roteiro”), o diretor me disse que ”Felipe Tavares” ou “Felipe Freitas” eram uma porcaria para cinema. “João”, eu mesmo não queria, porque nunca me identifiquei com esse primeiro nome. Aliás, não gosto de nomes compostos. Daí, já sem muita paciência, ele esbravejou:

“Deixe de frescura! Esse nome de batismo serve para médico, advogado, professor, qualquer outra coisa, mas não é forte para artista.”

E discutimos quase uma madrugada inteira (sim, esse diretor só trabalhava das 21h até as 6h do dia seguinte). E só via o sol nesse primeiro momento da manhã. Depois dormia. Acordava à noite. Era um vampiro.

Então adotei um dos sobrenomes da minha avó paterna, Isabel.

Para facilitar, aqui vai um pouquinho da minha árvore genealógica (apenas sobrenomes para evitar “clonagens” de documentos):

Avós por parte de mãe: Fioravante, era o sobrenome da minha avó; Freitas, do meu avô.

Avós por parte de pai: Greco era o sobrenome da mina avó; Nunes Tavares, os do meu avô.

Deles, vieram meus pais e meu sobrenome de registro: “de Freitas Tavares”.

Minha avó por parte de pai era surda, vivia em um mundo que era só dela (e isso me fascinava). Ralhava comigo por eu comer muito limão. Não chupava, comia com casca e tudo mais de dez limões cada vez que ia visitá-la. "Vai ficar azedo, guri!", ela dizia. Bobagem: azedo eu já era. E meu pai, como já contei em outra publicação, chegou a projetar filmes em Uruguaiana quando eu era bem pequeno. Mais tarde, quando passei a escrever roteiros, de alguma forma, o círculo se fechava, porque eu adorava mexer nos projetores e filmes que o pai trazia para casa. Sem dúvida, é uma das lembranças mais doces que trago daqueles tempos de guri. E não tenho muitas, não. Detestava ser criança. Aquilo de todos mandarem em mim era um porre. Lamento, mas não gostei de ser criança, não. Acho que já nasci velho, rabugento e “general” de mim mesmo. Receber ordem de alguém nunca deu certo, porque não tem “chefe” pior que eu mesmo: cobro de mim mais do que qualquer outra pessoa conseguiria.

Não sei por qual motivo não foi adicionado o sobrenome “Greco” na certidão de nascimento do meu pai. Acho que nem ele sabe explicar direito.

Meu nome, com todos os sobrenomes, seria: “João Felipe Fioravante de Freitas Greco Tavares”.

Eu adoraria ter esse nome pomposo, mas me registraram apenas como: “João Felipe de Freitas Tavares”. O primeiro nome foi por eu ter nascido num comecinho de noite de São João. O diretor tinha razão: podia ser bonito, imponente, mas não era um nome artístico.


De qualquer maneira, por me dar bem com a minha "vó" Isabel, adotei “Greco” para que o diretor parasse de me atormentar.


Mesmo assim, sem me avisar, ele mandou colocar nos créditos de abertura do primeiro filme: Felipe Grecco. Sim, com duplo “cê”. Quando vi, levei um susto. Mas ele se justificou:


“O filme vai para o exterior; fica melhor o Greco com dois ‘cês’”


Passada essa época do cinema, na primeira publicação, cortei um “cê”... e segui com este pseudônimo literário: “Felipe Greco”, que já tem até uma linha no dicionário mais utilizado na internet: 


https://pt.wikipedia.org/wiki/Felipe_Greco 

Esclareci tudo isso, porque, dias atrás, um jovem cineasta e também pesquisador de cinema me procurou para saber se eu tinha escrito esses filmes trashs na Boca do Lixo nos anos 1980/1990. Sim, fui eu.

Tá explicado?


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Histeria coletiva




Dia desses, uma montagem feita com a embalagem do queijo Polenguinho para homenagear/reverenciar o álbum The dark side of the Moon (na minha opinião, um dos melhores) do Pink Floyd, causou revolta nas redes, pois foi recebida como uma apologia da homossexualidade, um desrespeito às famílias e toda aquela ladainha de quem está se deixando guiar mais pelo coração do que pela pela mente.

Essa “febre” de alguns mais fanáticos que satanizam as discussões sobre identidade de gênero é tão séria, que daqui a pouco fiéis serão proibidos de olhar para o céu quando surgir um arco-íris. O que é um belo espetáculo da natureza passará a ser “obra do demônio querendo impor ao mundo uma ditadura gay”.

Ah, pare com isso, amigo!

Uma coisa é não concordar, não gostar, não entender etc., outra bem diferente é arranjar desculpa para transferir aos outros um problema que, na verdade, é seu. Cada um tem o seu próprio desejo. Ou melhor: a sua própria vida. Cuide apenas da sua. Se não tem, arranje uma. Ou, no mínimo, leia melhor os livros sagrados (seja qual for a sua religião ou crença). Copiados de forma tendenciosa ou não ao longo dos séculos, os que são considerados grandes profetas aparecem nos livros sagrados pregando o amor, não a guerra. Os falsos profetas é que precisam pregar a ideia de pecado para poder vender o perdão. Sem culpa, sem medo do inferno e outras amarras inventadas para engessar os impulsos naturais do homem... igrejas, templos & afins ficarão às moscas.

Cuide da própria vida, que suas chances de felicidade e paz interior aumentarão – e muito!


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A cruz ou a espada?



Se o ensino particular, os convênios de saúde e os serviços de segurança lucram muiiiiiito com a precariedade dessas áreas, qual governo seria capaz de melhorar isso? Como enfrentaria o interesse dos empresários que ganham fortunas com tais “problemas sociais”? Será que a elite financeira gostaria mesmo que seus herdeiros frequentassem escolas públicas de boa qualidade ou seus membros entrariam tranquilamente em filas de postos de saúde com ótimo atendimento? Ora, se até em avião, que, caindo, todos morrerão igualmente, há vários espaços delimitados conforme a quantidade de dinheiro que os passageiros trazem no bolso (ou já de berço), talvez as escolas e os postos de saúde de excelente qualidade também criem separações, tipo: classe A, B... Z.

É ingenuidade acreditar que este ou aquele governo poderá mudar os poderosos mecanismos criados há séculos para manter a casa grande bem distante/separada da senzala. A madame pode até (por compaixão, altruísmo, fingimento etc.) batizar o filho da empregada, mas daí a trazê-lo para a mesa da família na ceia de Natal ou incluí-lo no testamento com os mesmos direitos dos seus filhos... isso é raro.


É nessa “esperança” (quase infantil) que os aproveitadores de plantão jogam sementes falsas e espalham soluções mágicas. Os mais afoitos caem facilmente na armadilha.


Nosso analfabetismo funcional e político, mais que um “problema social”, é uma estratégia de poder muito antiga. Vem desde que os primeiros colonizadores colocaram seus pés aqui e forçaram os nativos a entregar a sua terra (e tudo o que havia nela). Ah, não esqueçam que a cruz veio junto. Sempre a “fé” vem a tiracolo para ajudar a legitimar as invasões. Quando alguém diz “estamos fazendo isso em nome de Deus”, pronto: acaba a discussão... e estamos ferrados. Com “Deus” não tem como discutir. Nunca teve, por piores que sejam os seus “desígnios”. O mais curioso é que os castigos “divinos” sempre têm maior peso para o lado dos mais fracos e/ou daqueles que se dão conta de que tudo isso é uma grande farsa para nos manter no cabresto.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

$$$ jogado no lixo


Ontem, depois de receber mais um comunicado de aumento abusivo na tarifa de uma das contas bancárias (por ser empreendedor, sou forçado a ter, além da conta pessoal, mais duas em agências distintas), liguei para a gerente de pessoa jurídica do Itaú:
— Mais um aumento? — perguntei indignado.
— Não posso fazer nada, senhor? Sua tarifa já estava defasada.  
— Como defasada, se aumentou em janeiro? Eu já pagava, em média, sessenta e poucos por conta. Agora vai para quase cem reais? Qual a justificativa? Sem falar que me ofereceram crédito especial para a empresa, depois me cobraram trimestralidades de quase trezentos reais, além das tarifas mensais e os juros. Ou seja: oferecem o “presente”, mas a cobrança vai junto, é isso?
— É o custo pelos serviços, senhor...
— Quais serviços? Não uso agências, nem cheques... apenas o cartão e faço pagamentos pela internet... Muito raramente, quando vou direto à agência, não há mais ninguém por lá, somente um ou dois gerentes, três funcionários nos caixas e máquinas.  
— Há um custo para o banco... Manter os serviços gera despesas.
— Quando você vai ao açougue, à loja ou ao posto de gasolina, lá há uma taxa mensal só para manter os serviços disponíveis para o cliente? E em lojas virtuais, você paga mensalmente para ser cliente?
Silêncio. Insisti:
— No seu salão de beleza, os serviços não estão lá, sempre disponíveis?
— Não entendi, senhor...
— No salão, você paga para continuar sendo cliente, mensalmente, ou apenas pelos serviços que utilizar?
— Pelos serviços, senhor...
— Pois é... Viu só como se explica o lucro absurdo dos bancos brasileiros: mesmo sem trabalhar, eles recebem mensalidades e outras taxas impostas aos clientes. Trocaram funcionários por máquinas. Segurança e manutenção são terceirizadas. O sindicato de vocês foi aniquilado. Amanhã, quando completar mais alguns meses de casa e começar a representar um custo muito elevado para ser mantida (e até demitida) pelo banco, você será trocada por alguém mais novo e barato, por um vaso de planta ou por uma gravação idiota, com as mesmas falas que você acaba de repetir para mim. Entendeu agora como funciona o jogo?
— O senhor quer fechar a conta, é isso?
— Não, porque sou obrigado a manter as contas. Sem contas, você e sua empresa deixam de existir. Por isso, talvez eu passe aí amanhã para jogar uma bomba na sua agência...
— Senhor, esta conversa está sendo gravada.
— Espero que esteja mesmo! Mande uma cópia para a dona Milu, sua patroa.
— Quem?
Conversa encerrada. Ela nem sabia quem era uma das maiores acionistas do banco para o qual trabalhava. Eu não tinha como levar adiante uma discussão com alguém treinado para dar respostas prontas. É provável que uma samambaia pudesse interagir melhor com os clientes do que aquela mocinha adestrada. A verdade é que bancos nos roubam descaradamente, e NINGUÉM diz nada. NADA! Banqueiros são agiotas legalizados. Apenas isso. E, junto com os da Fiesp, são os verdadeiros "chefes" deste país. Por isso, continuem aí, batendo panelas; não dará em coisa alguma. Presidente, governadores, prefeitos e todo o resto são paus-mandados. Quem governa de fato o Brasil está em outra esfera de poder, longe dos holofotes e faturando trilhões às custas de idiotas. Ou seja: nós!


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Enfim, o fim...



Ontem, também era evidente/constrangedora a “crise de idade”... No Congresso e em outras esferas de poder, não surgem novas lideranças (ou são impedidas de surgir). Há deputados, senadores, juízes etc. que entraram e não querem mais sair do poder. Dezenas deles, no mínimo, devem ter viajado escondido na arca de Noé, ido ao funeral da Cleópatra ou ao batismo de Jesus. Se somarmos as idades, voltamos à pré-História. Desolador ver aquilo...

A verdade é que a tal superproteção tem se tornado um tiro no pé (dos próprios pais e da sociedade em geral), e isso já é estudado e debatido nas academias. No Japão, é pauta das políticas públicas do Estado desde os anos 1980. Se tem alguém que resolva por mim (mesmo que de forma errada), por que vou arregaçar as mangas?

É provável, então, que venha daí essa carência de gerações protagonistas da própria história. (Na França, Macron é uma boa “arejada” nessa toca de velhas ratazanas que não largam o poder nos quatro cantos do planeta.) Embora muitos se tornem arrogantes, no fundo, jovens atuais são medrosos e acomodados, não têm peito/fôlego para encarar a realidade como ela é. Cheios de freios, vivem no mundo virtual. Ali, sim, têm superpoderes, capas voadoras e o escambau. Envelhecem de corpo, mas ainda imaturos. 

Como tudo, há um preço a ser pago. Já estamos pagando. A fatura maior ainda virá, porque, cedo ou tarde, os “superpais” estarão enterrados. Aí é que eu quero ver. Ou melhor: NEM QUERO VER. (Como digo, se há vantagem em envelhecer, é saber que estamos mais perto do fim. O corpo, sim, mas a vida já não nos pesa tanto. Já estou nesse “estágio”, felizmente.) 

domingo, 23 de julho de 2017

"Deixe-me ir, preciso andar"*




Quando eu era pequeno, tentei fugir, quis muito ir embora com um circo. Até contorcionismo aprendi a fazer. E não era para ser artista, eu queria apenas aquela vida livre, não criar raízes nos lugares, ser andarilho, um nômade. Definitivamente, eu devia ter entrado para o mundo dos espetáculos itinerantes. Amo viajar. Detesto os regressos. Viajante sem viagens, comecei a contar histórias, andar por aí na imaginação – não por gostar de escrever, mas para tentar sossegar de um jeito meio capenga essa minha alma inquieta. Porém, o que me faz falta mesmo é essa outra parte: andar de verdade. Cada vez mais longe. Sem esse compromisso de voltar. Um dia, quem sabe, ainda crio coragem de jogar a mochila nas costas e botar os pés no mundo. “A vida é de queimar as questões”, escreveu o genial Antonin Artaud... Pois é, ainda tenho essa questão das andanças para tirar da lista das minhas pendências existenciais – que agora já nem são tantas assim. Envelhecer é parar de brigar com a nossa verdadeira natureza. Cedo ou tarde, ela aflora e nos domina. Se não cedermos logo, corremos o risco de viver/morrer pela metade, em dívida com o destino.

.....


* Título em homenagem ao grande Cartola, verso da música "Preciso me encontrar".



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lição do dia: "Ser ou não ser... cordeirinho"



Para preservar a tal “ordem e progresso”, o mundo precisa de cordeirinhos mansos, adestrados e obedientes. Só que não são os cordeirinhos que mudam a história. Na política, na religião, na ciência, nas artes, seja no que for, é preciso que surja um rebelde, alguém inconformado com o marasmo dos dias. Geralmente, esses revolucionários (tachados de “subversivos”) são perseguidos e eliminados o mais rápido possível para não contaminarem o rebanho com suas ideias que colocam em risco a tal “ordem e progresso”. Mais adiante (beeeem mais adiante), são idolatrados. Sim, esse é o preço de não ser cordeirinho. O sujeito pode mudar a história, mostrar outros caminhos melhores... mas vai morrer cedo e humilhado. Sempre foi assim. Sem dúvida, é bem mais fácil e menos perigoso ser cordeirinho.

Entendeu ou quer que eu desenhe? Bem,como não sei desenhar, coloquei esse outro aí, que busquei no Google (infelizmente, não encontrei o nome do autor). Acho que serve...

sábado, 8 de abril de 2017

Cuidado: animal feroz!




Faz muito tempo. Acho que li isso num desses clássicos romances de guerra, talvez em Os nus e os mortos, de Norman Mailer (mas não tenho certeza)... Lá, era explicado como os cães são treinados para as batalhas de campo. O animal, que costuma nascer manso, é amarrado e largado ao relento (principalmente, no inverno). Comida, o mínimo. Água, idem. Dia e noite, recebe banhos gelados, pauladas e também dão tiros em sua direção. No início, desidratado e desnutrido, ele vai ganir muito e tentar se encolher. Amarrado, não terá como fugir. E assim será punido injustamente até não aguentar mais. Então, já tendo aprendido a comer barro e as próprias fezes (além de beber a água suja dos banhos que recebe a todo instante), rosnará e tentará atacar o seu treinador-carrasco. Pronto, já estará apto para enfrentar qualquer inimigo; não terá mais medo de explosões, rajadas de metralhadoras, fome, sede, nada.

Muitas pessoas que hoje rosnam, já devem ter passado por esse tipo de situação. Se arreganham os dentes, não é por serem ruins, mas por uma questão de sobrevivência.

Por isso, não se aproxime muito, nem provoque demais a fera, porque ela vai saber se defender!

Bom final de semana a todos!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Reflexões numa rápida pausa de almoço



Assistindo a um programa de entrevistas sobre solidão e velhice, numa associação livre (mas nem tanto), lembrei que tenho amigos que, anos atrás, estufavam bem o peito para dizer:

— Olha, se a pessoa não atender a uma série de pré-requisitos, não vai ter a menor chance de ficar comigo.


Pois é... Daí, o tempo foi passando, passando... Até que um e outro apareceu de braços dados e feliz da vida com alguém que, definitivamente, não tinha nada a ver com a tal lista de exigências. Alguns eram o “avesso” de tudo aquilo. Ora, imagino que os antigos “intocáveis” devam ter trocado a rigorosa lista de pré-requisitos por outra, de necessidades mais básicas e urgentes. 
Já os que até hoje continuam com o mesmo discurso, seguem de mãos abanando,amargos e frustrados. 


Claro que eu ainda não disse nada... mas que dá vontade, dá. Qualquer dia, se me pegarem virado no cão (o que não é difícil), vou disparar “na lata”: 


— Se enxerga, criatura! E lá você tem grande coisa para oferecer em troca? Só se for a dentadura.


Afff! Nem enchendo a cara dá pra agu
entar esse povo, viu?