Olhando lá do futuro, imagino que alguém vai ver que o grande problema da humanidade foi a briga insana com os relógios e calendários. Quando crianças, querem ser adolescentes. Quando adolescentes, querem ser adultos. Quando adultos, voltam a agir como crianças/adolescentes. Quando velhos, começam a “malhar” o corpo que nem condenados, espichar a cara até não poder mais e arranjar amantes bem mais novos para disfarçar a idade. Nesse descompasso, em vez de viver de verdade, todos interpretam personagens tragicômicos (muitas vezes, caricatos). Para piorar a situação, agora querem aumentar a expectativa de vida para além dos 100 anos. Mas pra quê? Morra na hora que tiver que morrer, diabo! De preferência, discretamente, sem fazer tanto alarde! Pare de ser ridículo!
Os Maias podem ter se enganado: às vezes, tenho a sensação de que o “mundo” acabou para mim entre agosto e setembro de 2013, naqueles 30 dias de internação, quando fui submetido a duas neurocirurgias de alto risco. Morri, e meu purgatório particular é ter vindo parar neste tempo estranho. Não me reconheço nele, nem ele me reconhece mais. Agora, somos dois estranhos. Será que morrer é isso: passar para uma realidade paralela (e bem mais absurda que a anterior)?
Não sei se essas listagens são verdadeiras, mas dá para refletir um pouco sobre a diferença, não da “qualidade” artística, mas do público. Se a segunda lista enumera esses outros artistas do momento, é porque a sociedade foi se tornando mais acomodada intelectualmente, imediatista e, digamos, de “gosto” mais rasteiro? Sinceramente, não sei responder (nem quero). Ora, o artista oferece o “peixe” que ele tiver para vender, compra quem quiser. Se, num mercado de peixes, agora o consumidor preferir “sardinha”, que se farte com sardinhas. O menos importante é a sardinha oferecida no mercado ou servida no prato, mas o movimento que os cardumes farão para sobreviver aos ataques dos predadores e, talvez, subverter a ordem estabelecida. O tempo fará a seleção natural. E tudo se ajeitará daqui a pouco. O fast-food acabou com a alta culinária? O prêt-à-porter acabou com a alta-costura? O rock and roll acabou com a ópera? Os quadrinhos acabaram com a prosa? A telenovela acabou com o teatro ou com o cinema? Não. Cada gênero em seu contexto e com o seu público. Cada geração tem as suas preferências. O que não acho bacana (nem saudável) é o patrulhamento. Pois que cada um faça o que bem entender e tente ser feliz dentro daquele seu universo de possibilidades. O meu é o meu. O dos outros, que continue com os outros. Para encerrar esta minha “profunda reflexão” de início de semana, deixo aqui um desabafo da grande “filósofa” Dercy Gonçalves: “Se Deus, que é tão sábio, deu um c... para cada ser, por que diabos eu vou querer cuidar do c... dos outros ou deixar que cuidem do meu c...? Ah, que todos vão tomar no c... deles e me deixem viver em paz com o meu c... de velha!” Obs.: na primeira lista, por exemplo, eu jamais colocaria um ou outro artista. Mas é questão de gosto e de referências pessoais. Apenas isso. Não tem cabimento criar uma guerra mundial por causa disso, né? Tem coisa bem mais importante para ser discutida.
Já fazia algum tempo que eu não sentia mais tesão em ver os filmes anuais do Woody Allen, aqueles com verbas/patrocínios para mostrar cidades pelo mundo, que mais pareciam um longo e pueril anúncio de turismo. Que bom que o diretor voltou ao seu “reduto” existencial para mostrar cenas do cotidiano. É como se o cineasta reencontrasse suas lentes dos tempos de Mia Farrow, a atriz e ex-mulher dele que dizem ser muito temperamental e problemática. Ótimo que seja uma pessoa temperamental e problemática, pois essas são bem mais interessantes e inspiradoras que as pessoas “normais”. Neste novo filme, embora Allen cite nas falas o dramaturgo Eugene O’Neill (sempre cita vários criadores em seus filmes), vi mais outro grande autor em Roda Gigante: Tennessee Williams... nas relíquias de um suposto passado de glória e no delírio etílico da garçonete/dona de casa entediada e adúltera, personagem interpretada pela sempre competente Kate Winslet. Isso me lembrou muito a conturbada Blanche DuBois, da peça Um bonde chamado desejo, do Williams. Os demais atores estavam, como sempre, bem dirigidos por Woddy Allen. Vibrei com as discussões realistas e a dramaticidade pungente do filme. Assim como na vida real, não há um final feliz em Roda Gigante, porque não existe mesmo final (feliz ou infeliz) na vida das pessoas. Vida é como esse brinquedo dos parques: uma hora põe a gente lá no topo, depois faz quase arrastar os pés no chão. E volta a subir... Mas quem quiser, pode descer ou pular da roda em movimento. Cada um que decida por si a sua hora de parar de “brincar”. Mas a roda, como se nada tivesse acontecido, continuará em movimento. Claro que queremos (ou precisamos) acreditar que tudo vai parar quando descermos... Só que nada vai parar, não. Nem deve. A roda gigante da vida dos outros continuará girando. E o esquecimento se encarregará do resto.
Dizem que há dois tipos de gente na Terra: quem veio para fazer parte da paisagem (do jeito que ela é) e quem veio para modificá-la. Há um preço alto pela “desobediência” ao que a sociedade (padres, pastores e líderes religiosos em geral) impõe aos fiéis. Claro que há! Mas é a fatura que alguns (poucos, infelizmente, bem poucos!) preferem pagar para mudar as engrenagens das civilizações hipócritas e convenientemente criadas para manter as pessoas no cabresto do medo, do pecado, da culpa, do castigo divino, do inferno e blá-blá-blá. Nascemos anjos livres, mas rapidamente as penas das nossas "asas" são cortadas para que não possamos voar por conta própria. Vivemos em "gaiolas morais”. Minha descrença no divino vem daí, dessas proibições inventadas pelos homens para proteger os interesses de alguns (poucos, FELIZMENTE, bem poucos... mas, infelizmente, poderosos). Sendo sincero, penso que o “paganismo” talvez seja bem mais “sagrado” que os discursos oficias e tendenciosos das religiões. O tempo dirá. Aqui, um vídeo com uma crônica sobre quem teria sido Jesus de Nazaré. Uma visão, apenas isso. Na verdade, tudo o que temos daquele período são interpretações; nada é, de fato, documentado. Ora, se nem na atualidade podemos confiar totalmente nos registros, livros, jornais, imagens etc., imaginem há dois mil anos. Boa virada de ano, amig@s!
Já não sou mais tão fã de carnaval, mas este samba da Beija-Flor para 2018 me animou/emocionou bastante. É um soco no estômago dos políticos e religiosos hipócritas. Também uma bela resposta a Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo (Igreja Universal do Reino de Deus) e R. R. Soares (Igreja Internacional da Graça de Deus). Crivella é o prefeito do Rio de Janeiro que desprezou o carnaval carioca (além de outras manifestações “afros” e gays). Misturar política e religião é veneno puro, e quem paga a conta é a população. O enredo é poético e, ao mesmo tempo, provocador: “Monstro é aquele que não sabe amar (Os filhos abandonados da pátria que os pariu)”. A cidade maravilhosa respira por aparelhos, mas é guerreira, vai sair dessa. Amigos cariocas, esta é para vocês! ........................ Sou eu Espelho da lendária criatura Um mostro Carente de amor e de ternura O alvo na mira do desprezo e da segregação Do pai que renegou a criação Refém da intolerância dessa gente Retalhos do meu próprio criador Julgado pela força da ambição Sigo carregando a minha cruz A procura de uma luz, a salvação! Estenda a mão meu senhor Pois não entendo tua fé Se ofereces com amor Me alimento de axé Me chamas tanto de irmão E me abandonas ao léu Troca um pedaço de pão Por um pedaço de céu Ganância veste terno e gravata Onde a esperança sucumbiu Vejo a liberdade aprisionada Teu livro eu não sei ler, Brasil! Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola Meu canto é RESISTÊNCIA No ecoar de um tambor Vêm ver brilhar Mais um menino que você abandonou OH, PÁTRIA AMADA, POR ONDE ANDARÁS? SEUS FILHOS JÁ NÃO AGUENTAM MAIS! Você que não soube cuidar Você que negou o amor Vem aprender na beija-flor - - - - - - - - - - - - - Autores: Di Menor BF, Kiraizinho, Diego Oliveira, Bakaninha Beija-Flor, Júlio Assis e Diogo Rosa. / Intérprete: Neguinho da Beija Flor
“Este ano passou voando, não?” “E agora começa toda essa palhaçada de fim de ano...” “Pois é... Mas que bom que passou rápido, porque 2017, pra mim e pra todo mundo, foi uma bosta.” “Qual a novidade nisso? Tenho 83 anos, e sei que o Brasil sempre foi uma bosta. De vez em quando, enfeitam a coisa. Mas não adianta; bosta é bosta. O povo não tem memória, fala um monte de besteira por aí. E a gente se ilude porque é burro, mesmo.” “Credo, não é bem assim...” “Não? Primeiro, vieram os das caravelas: pra roubar e matar os índios. Mais adiante, a corte, a república... Todos só queriam meter a mão no que podiam. Aí, vieram os milicos, que meteram a mão na cara e nos bolsos de todo mundo, só que ninguém podia abrir o bico para reclamar. Deixaram um rombo, uma inflação absurda e um país atrasado. E agora apareceram esses outros safados. Metem até Deus no meio para ver se ganham um pouco de credibilidade. Pilantras. Todos fazem a mesma escola. Sempre foi assim.” "Pois é...” Essa foi a melhor conversa que ouvi nos últimos tempos, ali, na fila dos Correios, quando duas idosas tentavam inutilmente quebrar a monotonia em uma agência abarrotada de clientes carrancudos que não desviavam os olhos dos celulares.
Aqui, estudando os orixás para poder elaborar o “esqueleto” de um novo texto, pesquisei sobre Xangô, que é um arquétipo da justiça, dos raios e do fogo. Carrega um machado duplo (afiado nos dois lados). Dado ao prazer, teve três esposas: Iansã, Oxum e Obá. Por mais que pareça autoritário e implacável, é extremamente justo. Odeia a falsidade e a mentira. Quem invoca (ou se mete com) essa força da natureza precisa estar atento à lei do retorno. Aquele que comete alguma injustiça ou pede justiça sem merecê-la, da mesma forma que usa o machado de Xangô para prejudicar alguém, receberá de volta outro golpe ainda pior, direta ou indiretamente (por meio de seus familiares etc.). Não sou profundo conhecedor de mitologia africana, porém noto muita correspondência com os deuses egípcios, gregos, romanos e celtas. No fundo, é sempre o homem tentando explicar/justificar suas forças internas (força natural “versus” freios da consciência). No catolicismo também há essa semelhança. Por exemplo, quando é atribuído a cada santo um tipo de “área de atuação”. Por isso, dizem os estudiosos que não há religião monoteísta, já que as que se consideram seguidoras do “deus único” também admitem a existência do diabo, a divindade que está sempre em combate com o seu maior inimigo: deus. O diabo seria um filho rebelde e desnaturado ou a outra face de deus? Não há resposta. O que mais me seduz nas mitologias é o fato de os deuses estarem próximos das limitações humanas; não são imaculados, nem inatingíveis. Estudar as mitologias é olhar para dentro (para encarar os nossos próprios abismos), não para o céu (um paraíso inalcançável). Deixando o meu ceticismo espiritual à parte, acredito, sim, na lei do retorno (pregada em todas as religiões e crenças). Aliás, mais que acreditar, sou testemunha disso. Aos 50 anos, já vi muita coisa, conheço bem o "roteiro" de quase todos os "filmes". Xangô, na minha visão, seria a nossa consciência; não tem juiz mais atento e austero que ela. Como diz o ditado: “Aqui se faz, aqui se paga”. Este será o mote do meu novo trabalho. Não pelo lado moralista/civilizatório/religioso, mas somente tendo a consciência como foco principal da narrativa e da trama. Bora lá, para a minha estiva! Hoje é domingo? Pois é, para alguns... Ficcionista não tem folga.
Faz tempo isso... Era final dos anos 1980. Numa tarde, eu estava na sala do apartamento do Caio Fernando Abreu, na rua Haddock Lobo(se não me falha a memória), enquanto ele terminava o último capítulo do romance Onde andará Dulce Veiga?. Naquela época, os textos ainda eram datilografados. Não havia muitos computadores nas casas. Para ter uma segunda via de um texto, ou o autor ia até a loja de fotocópias mais próxima ou usava papel carbono. Lá pelas tantas, o interfone tocou... e subiu o office boy da editora. Caio colocou os originais em um envelope e entregou o novo livro a ele. Aquilo me deixou assustado. "Mas você não vai ficar com uma cópia?", perguntei. Ele respondeu tranquilamente que "não"; não havia necessidade, já que o livro seria publicado... e ele teria muitas cópias daquela história. Meu lado exagerado e trágico falou mais alto: "E se o cara for roubado ou sofrer um acidente e as páginas se espalharem por aí?" Depois de rir balançando a cabeça, Caio deu uma funda tragada no cigarro (fumava muito, um depois do outro) e disse com uma calma que me deixou ainda mais perplexo: "Se as folhas do livro forem levadas por um ladrão ou pelo vento, paciência; há romances que nascem perdidos, não acha?" Caio tinha essas frases... E até hoje, por andar sem fôlego e engavetar muitas histórias, penso nisso que ele me disse: há, sim, textos/sentimentos que nascem anêmicos, sem força, desanimados. A verdade é que semente sem terra boa não vinga. Infelizmente, agora não temos uma sociedade disposta a ler, ver peças, bons filmes... Quando a crise bate, a arte é a primeira coisa a ser deixada de lado. Pior: artistas são demonizados, perseguidos, eliminados. Vamos ver até quando isso vai durar. Por enquanto, o silêncio pode dizer mais que muitas palavras. Obs.: Bem depois daquele meu encontro com o Caio, outro amigo (que, aliás, me apresentou ao escritor) levou o romance para as telonas. Em 2008, Guilherme de Almeida Prado dirigiu Onde andará Dulce Veiga?. Caio já tinha nos deixado em 1996. Talvez ele tenha se enganado: nem todo "romance" (desejo?) se perde para sempre. A vida tem seus caprichos. Cedo ou tarde, a terra se renova e as sementes descartadas voltam a germinar como se nada tivesse acontecido. A pressa é sempre dos homens, não da natureza.
Temos dois países: o BraZil (dos que acham que fazem parte do primeiro mundo) e o BraSil (dos que sentem na pele a realidade como ela é). Sendo civilizada, toda a discussão/reivindicação é válida e bem-vinda, mas não pode pender somente para um lado e servir de “manto midiático” para desviar a atenção (ocultando, assim, as falcatruas e negociatas que estão destruindo o país). Ah, é verdade... Esqueci de falar do Bra$il... Sim, tem esse também, mas já foi quase totalmente vendido por preço de banana. Não resta muita coisa. Agora, vão vender o pré-sal para os estrangeiros. Pois que vendam toda essa porcaria de petróleo de uma vez! Era isso que os estrangeiros tanto queriam. Que levem; já fizeram o estrago que podiam ter feito no país. No planeta inteiro, onde há petróleo, houve exploração, guerra e/ou miséria. É um “tesouro” maldito. Assim como outros: ouro, pedras preciosas, minerais... Anotem aí: A próxima grande disputa mundial será por recursos hídricos. O Brasil já foi mapeado por grandes multinacionais interessadas em privatizar a água doce (principalmente, as nascentes). E vão conseguir isso, porque já provamos que também somos incompetentes nessa área de manutenção/conservação dos nossos rios, lagos etc. Como já nos “aconselhavam” no início dos anos 1980 a durona Margaret Thatcher e o presidente francês François Mitterrand: ora, se não somos competentes para administrar o país, temos que começar a abrir mão das nossas riquezas e do nosso terrirório. “Em 1983, a então premiê britânica Margareth Thatcher compactuou com os rumores de internacionalização de parte do território brasileiro, ao declarar: ‘Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas’. Alguns anos depois, o presidente francês, François Mitterrand, fez coro: ‘O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia’.” (Revista Superinteressante, https://super.abril.com.br/ideias/os-gringos-querem-a-amazonia/#) Os dois receberam muitas críticas na época por terem feito tais declarações. Mas hoje vemos que tinham razão. Imaturos e irresponsáveis, precisamos de “tutores”, como acontece com os incapazes que herdam grandes fortunas – e, apesar de tutelados, acabam perdendo tudo e/ou se tornam escravos da riqueza que eles não sabem cuidar.
Domingo passado, assistimos a este filme argentino: Esteros, rodado em Passo de los Libres (fronteira com Uruguaiana, minha terra natal). É muito singelo, tão puro e simples como as melhores lembranças que a gente tem da puberdade/adolescência. Óbvio, se tivesse sido uma produção brasileira, seria hoje apedrejado pelos moralistas de plantão. Diriam que é propaganda de sexo entre menores, incentivo à homossexualidade, filme para excitar pedófilos, enfim, toda aquela ladainha da indústria do pecado – aliás, cada vez mais próspera. Ora, mesmo que platônico e/ou sem sexo, quem não teve uma primeira paixão nessa idade? Quem não deu aquele beijinho escondido? Quem não brincou de médico? Quem, lá dos Pampas, já não tomou banho de açude? Eu tomei até pelado, claro. Era muito bom. Ah, é verdade... tinha o problema das sanguessugas. Tive sorte; nunca vieram em mim. Nem elas me quiseram... Esteros está disponível na NET. Para os parentes e amigos da fronteira, esse filme vai tocar no coração de modo mais intenso. Ir para Libres era um passeio obrigatório para todos nós. Comprar patins, então, o sonho da maioria da minha geração. Embora mostrem poucas cenas em plano geral, dá para ver um pouquinho da cidade. Aparece até o carnaval dos correntinos. Houve um tempo em que o carnaval de rua deles era tão bom quanto o de Uruguaiana, que é famoso (às vezes, até superava o nosso). Lança-perfume à vontade (que já era proibido no Brasil). É, o Brasil e os seus freios! Se proibição desse algum resultado positivo, seríamos uma potência imbatível. Mas, voltando... Como eu disse, o filme e a trama são bem simples (quase clichê de romance proibido). As imagens vão pegar mais na nossa memória... Tem participação de atores brasileiros.