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quinta-feira, 25 de setembro de 2014
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Lançamento de "Relicário" (e-book)
Ana Fadigas, Sérgio Miguez, Ferdinando Martins e Rodrigo de Araújo, amigos e editores, este não deixa de ser um registro dos anos que
trabalhamos juntos na "G Magazine". Fizemos a nossa parte.
Recém-lançado, o e-book de “Relicário” (Edições GLS, 2014) já está disponível em importantes livrarias (ver links abaixo). Minha editora na Summus, Soraia Bini Cury,
não vai gostar que eu diga que a versão em papel é mais charmosa
(ainda), por contar com a belíssima arte de Gabrielly Silva, com
ilustrações nada óbvias... Mas ela sabe que estou feliz e grato com essa
nova possibilidade de divulgar a obra. Em qualquer parte do planeta,
estará disponível. O preço? Bem mais interessante. Livros digitais têm
essa vantagem, e claro que ainda vão evoluir muito em termos estéticos.
Obrigado a todos! Valeu!
Amazon:
http://www.amazon.com.br/Relicário-Felipe-Greco-ebook/dp/B00LLJAT5U/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1406736718&sr=8-1&keywords=relicário
Google Play:
https://play.google.com/store/books/details/Felipe_Greco_RELICÁRIO?id=dS_yAwAAQBAJ&hl=pt_BR
Cultura:
http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=Felipe+Greco&common_filter%5BTipo+de+produto%5D=Ebooks
Amazon:
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Google Play:
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Cultura:
http://pesquisa.livrariacultura.com.br/busca.php?q=Felipe+Greco&common_filter%5BTipo+de+produto%5D=Ebooks
sábado, 21 de junho de 2014
Valeu, Rose!
Em 1985, com 17 para 18 anos, eu havia chegado do Sul... e logo consegui emprego na Editora Vozes (de São Paulo), como divulgador. A editora (Rose Marie Muraro) era uma mulher visionária, corajosa e com uma inteligência ímpar. Naquele tempo, fui iniciado (por ela e pelos meus companheiros de equipe) no mundo dos "grandes" (Freud, Jung, Guattari, Genet, Foulcault, Rimbaud etc.). Eu era um menino no meio de gigantes. E, por isso mesmo, acho que fiz a Rose gargalhar muitas vezes com os meus ímpetos e destemperos de adolescente cheio de sonhos mirabolantes.
De braços dados, cruzávamos a Paulista e íamos até o Conjunto Nacional tomar café e comprar passagens aéreas em uma agência da saudosa Varig. Ela ia e voltava do Rio quase toda semana. Conversávamos muito sobre livros, autores...
Um dia, ela, mais desatinada que eu, esbravejou:
"Porra, cara, se acha que pode escrever, por que não vai lá e manda bala? Vontade a gente tem pra realizar coisas. Desejo trancado não serve pra nada, vira frustração, rancor, doença."
Morrendo de vergonha, mostrei a ela alguns poemas.
"Vamos publicar esta merda!", ela disse.
Publicamos. Rose escreveu um texto para a quarta capa. No final dele, exclamava: "Valeu, Felipe".
Sim, era uma porcaria de livro, mas um começo. Sem um pontapé inicial... nada vai adiante. E ela (guerreira não tem medo de arriscar) deu esse chute numa vontade que já havia nascido comigo.
Hoje, essa mulher lutadora, agnóstica (arrisco, mas dizia ser ateia) e intelectual admirável (que, de tão teimosa, apesar de ter nascido praticamente cega, resolveu ser escritora e editora de ponta)... partiu. Mas não foi o câncer que a levou, como divulgaram por aí. Dona do corpo e do próprio destino, havia cumprido sua missão. Estava pronta para outros desafios. Deixou, então, a morte trabalhar.
Não estou triste. Não fico triste com a morte de quem veio e fez história. Abriu caminhos. Andou sem medo. Inteiro.
Valeu, Rose!
De braços dados, cruzávamos a Paulista e íamos até o Conjunto Nacional tomar café e comprar passagens aéreas em uma agência da saudosa Varig. Ela ia e voltava do Rio quase toda semana. Conversávamos muito sobre livros, autores...
Um dia, ela, mais desatinada que eu, esbravejou:
"Porra, cara, se acha que pode escrever, por que não vai lá e manda bala? Vontade a gente tem pra realizar coisas. Desejo trancado não serve pra nada, vira frustração, rancor, doença."
Morrendo de vergonha, mostrei a ela alguns poemas.
"Vamos publicar esta merda!", ela disse.
Publicamos. Rose escreveu um texto para a quarta capa. No final dele, exclamava: "Valeu, Felipe".
Sim, era uma porcaria de livro, mas um começo. Sem um pontapé inicial... nada vai adiante. E ela (guerreira não tem medo de arriscar) deu esse chute numa vontade que já havia nascido comigo.
Hoje, essa mulher lutadora, agnóstica (arrisco, mas dizia ser ateia) e intelectual admirável (que, de tão teimosa, apesar de ter nascido praticamente cega, resolveu ser escritora e editora de ponta)... partiu. Mas não foi o câncer que a levou, como divulgaram por aí. Dona do corpo e do próprio destino, havia cumprido sua missão. Estava pronta para outros desafios. Deixou, então, a morte trabalhar.
Não estou triste. Não fico triste com a morte de quem veio e fez história. Abriu caminhos. Andou sem medo. Inteiro.
Valeu, Rose!
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Divão no fascisbook - (quase 3, sessão de emergência)
Ontem, de repente, durante um dos meus sagrados momentos de tédio absoluto, ouvi essa:
— Sabia que amanhã é dia dos namorados?
— Hein?
— Ouviu o que eu disse?
— Antes ou agora?
— Tanto faz.
— Bom, estava distraído, acho...
— Eu disse: "amanhã é dia dos namorados, sabia?"
— Hein?
— Ouviu o que eu disse?
— Antes ou agora?
— Tanto faz.
— Bom, estava distraído, acho...
— Eu disse: "amanhã é dia dos namorados, sabia?"
— É? E daí?
— O que você gostaria de ganhar de presente?
— De quem?
— De mim, ora.
— Distância.
Tem gente que me faz cada pergunta, doutor. Por deboche, só
pode ser.
terça-feira, 10 de junho de 2014
Divã no fascisbook 2
Não, doutor, não sou inseguro, mas exigente. Isso, às vezes (ou sempre),
é um fardo pesado (para os outros e também para mim). Veja só: quando eu tinha 10
ou 11 anos, minha mãe desistiu de me dar presentes de Natal, aniversário, o que
fosse. Não que ela tivesse um gosto, digamos, "muito particular" para
escolher os presentes para o caçula da casa, mas, infelizmente, não dava uma dentro, nunca. Daí, achou melhor economizar, e passei a receber dinheiro em vez de presentes. Na verdade, acho que ela queria mesmo era desistir de ser minha mãe, porém decidiu me dar dinheiro. Afinal, já era um pouquinho tarde para me abortar, né?
Mais adiante, apenas para dar um exemplo desta minha obstinação pelo melhor
resultado (e a querida amiga Adriana Chagas testemunhou isso), quando ainda
era preciso tirar e levar fotos 3x4 para a carteira de identidade, cheguei a ir
a 10 fotógrafos diferentes (em São Paulo e Santos) para poder escolher a foto
menos “assustadora”.
Imagine, então, o "parto a fórceps" que costuma acontecer
quando estou escrevendo algo meu... Pois é, a produção do roteiro e dos quadrinhos de Dom
Casmurro levou seis anos... E o romance que escrevo agora já recebeu
tantas "marteladas" (quatro anos de carpintaria de texto), que já nem
sei mais se o original sobreviverá por muito tempo. Bom, se não sobreviver, é
porque já nasceu meio morto, certo? E "la nave va"...
Não, doutor, não me olhe assim. Não, não é que eu não goste do
jeito que o senhor me olha... Mas a sua cara, talvez o senhor pudesse dar um
jeito de melhorar o corte de cabelo, pôr um aparelho nos dentes, mudar de óculos, de corpo, de encarnação...
Enfim, quanto lhe devo? Vou procurar outro psiquiatra; o senhor, lamentavelmente, não serve para escutar as minhas memórias. Puxa vida, tá ficando difícil de ser louco, viu?
terça-feira, 20 de maio de 2014
Divã no fascisbook
Caro doutor, meu problema de
"desencanto progressivo" talvez venha dessa minha incapacidade de ser
fã de artistas, não gostar de colecionar coisas ou por ter os pés
excessivamente no chão (embora, de vez em quando, eu seja ficcionista para
ganhar alguns trocos). Começou lá atrás, bem cedo. Um dia, lembro que meus pais, no início de um dos muitos arranca-rabos que tínhamos durante as refeições, reclamaram:
— Não sabemos mais o que fazer
contigo, guri, vive contestando tudo.
— Nem sempre, pai.
— Mesmo de bico fechado, já é um jeito de nos afrontar.
— Aí, já é implicância comigo, né?
— Implicância? Até da catequese já te mandaram
embora. "Não acredita em Deus!", disse a pobre freira, traumatizada com a tua
boca suja.
Tentei me defender:
— Mas não é
verdade, mãe.
— Então é mentira dela? — minha
mãe voltava a ter uma ponta de esperança na “salvação da minha alma”.
— Também não — admiti.
O pai (cerveja já pela metade no
copo, cada um com seus “escudos” para me enfrentar) vociferou:
— Acredita ou
não acredita?
— Na freira?
— Não te faz de bobo, guri! Em
Deus, acredita ou não?
— Tem dias que sim, pai, mas não
é sempre.
A mãe levou as mãos à cabeça (para
ela, acho que gritar pela santa era como beber cerveja):
— AVE MARIA! — clamou.
— Nem em nós ele acredita! — acrescentou meu velho.
— Me esforço, pai, mas não é
fácil.
— Devias ver tua mãe e eu como
heróis!
— Hein?
— Não somos heróis para vc? —
insistiu o pai.
— Pode falar —, disse a mãe. — Já estamos acostumados com as tuas esquisitices.
Silêncio. Pai e mãe trocaram
olhares apreensivos até eu voltar a abrir a boca:
— Vocês têm capas e voam, por
acaso?
— Não tenho capa, nem voo — explodiu a mãe, tinha e ainda tem o pavio
mais curto que o meu —, mas meto a mão na tua cara se continuar falando desse
jeito.
— Bom, então a pergunta já tá respondida, certo?
Assunto encerrado. Eu devia ter 7 ou 8 anos, não mais que isso. Dos heróis, tudo bem, eu só queria provocar meus velhos, como sempre fazia quando tentavam me pôr na berlinda. Porém, da freira... Veja bem, ela me chamou de ateu e me convidou a não ir mais às aulas de catequese... mas fez isso para não ter que contar aos meus pais que eu havia feito uma aposta com meus colegas, afirmando que freiras não se raspavam. E que elas, de tão compridos os pelos, além de não poder usar calcinhas, tinham que trançar as longas madeixas pubianas para amarrá-las em volta das coxas. Pareciam trepadeiras felpudas no meio das pernas das religiosas, que, às vezes, caminhavam soltando gritinhos... Daí, uma tarde, ela, a que nos dava aula, flagrou um de nós com o espelho de bolso preso na ponta de uma antena de carro. Pisou nele: acabou com o nosso “periscópio", para manter o mistério sob o hábito.
Será que o meu caso é grave,
doutor?
(Para Jean Wyllys, Klecius Borges e Sérgio Miguez.)
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Dia do autor guerreiro
23 de abril: dia de São Jorge!
23 de abril de 1616: Miguel de Cervantes morreu nessa data (Shakespeare, também). E, em 1995, a Unesco instituiu o “Dia Mundial do Livro e Direito do Autor".
Nada mais apropriado: o santo abre caminho para que Dom Quixote possa enfrentar seus dragões diários (imaginários ou não).
Hoje, cada vez mais quixotescos, nós, os contadores de histórias, seguimos em frente, desbravando caminhos obscuros. Mas, infelizmente, sem poder contar com a retaguarda de um amigo leal, como Sancho Pança. Sozinhos. Sempre.
Salve, São Jorge! Salve, Cervantes! Salvem-nos!
terça-feira, 22 de abril de 2014
Xô, capeta!
Ontem de manhã, indo para a Paulista, deparamos com uma cena, no mínimo, dantesca. Na avenida Europa, conhecida região de revendedoras de carros de luxo, havia um homem com um cesto na mão, sendo filmado por uma mulher. Não dava para ver o que tinha no interior do cesto, nomes escritos em papéis, talvez. Mas o que ele falava era mais ou menos isso:
“Estamos aqui, na frente desta vitrine da Ferrari, minha irmã e meu irmão, porque o nosso Deus do impossível quer o melhor pra você e sua família. Não é um Deus de miséria, não. É um Deus de muita fartura e blablablá.”
Por pouco não desci o vidro para perguntar:
“Por favor, o senhor poderia me dizer onde fica a Oscar Freire, rua famosa em que Jesus comprou aquela túnica Prada e a coroa de ouro maciço, crivada de diamantes da Tiffany?”
Mas é claro que não ia ser uma boa ideia; ele certamente viria com a Bíblia em punho para exorcizar o “herege” que se atreveu a “insultar” o Filho de Deus.
Ah, me poupe!
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Somos corruptos, mas de “boa” índole
Infelizmente,
não é raro receber solicitações de exemplares. Em cortesia, claro. Tanto de
livros meus quanto de autores da editora. E grande parte dos pedidos vem de
educadores. Como se fosse um produto barato (em termos de produção) e com
grandes “sobras” para distribuição gratuita de livros impressos.
Quanto
ao formato digital, em breve (e aos poucos), minha editora começará a
transformar boa parte do catálogo em e-books. Já contatamos alguns
autores, nem todos aceitaram o “desafio”. Sim, desafio, porque há um grande
risco de as obras irem parar na internet, sem controle de download.
Embora os distribuidores e as plataformas importantes utilizem o DRM (um
dispositivo Adobe para controlar cópias piratas, impressão de conteúdo, vendas
etc.), um professor-autor alertou que isso não é o bastante para proteger a
obra. De fato, na própria internet há vários sites que oferecem programas
gratuitos para “quebrar DRM”.
Claro
que o problema de pirataria sempre existiu e existirá, já que é mais por uma
questão de índole do que “por culpa do custo elevado” de determinados produtos.
Já tive, por exemplo, um professor universitário que disponibilizou sua
obra na famosa “pastinha de xérox”... para que os alunos a copiassem à vontade.
“Mas,
professor, é a sua própria obra!”, reclamei (detalhe: eu era o editor daquele
livro, tbém estava sendo prejudicado com aquela pirataria).
A
resposta dada pelo autor foi: “Fazer o quê, se eles vão copiar de qualquer
jeito? Pelo menos, que seja do meu exemplar”.
Hoje,
com os avanços da informática, xérox já é quase coisa do passado. Tudo é
virtual, rápido e, de preferência, sem custo.
Diferente
do que acontece nas escolas (onde os alunos são obrigados a adquirir uma pilha
de livros e/ou o governo fornece por meio de programas do MEC), nas
universidades, copiar obras é uma prática “tradicional”. Professores (autores
ou não) fazem vistas grossas à Lei de Direitos Autorais, porque, na prática,
não podem evitar esse tipo de atitude. Até os próprios educadores copiam obras
sem autorização, conforme reza a lei.
Lei?
Que
lei?
Ora,
quase ninguém conhece a Lei de Direitos Autorais. (Aliás, devia ser ensinada
nas escolas e universidades.)
Daí,
é aquela eterna bola de neve: “livro é caro demais, porque é pirateado. E é
pirateado, porque é caro demais”.
Mas
é caro mesmo (mais que a bebedeira nos botecos às sextas-feiras em torno das
faculdades)? No caso de versões digitalizadas, os preços caem em torno de 30%
(até mais). No entanto, continuam sendo pirateadas. É preço ou descaso,
exatamente, com o que se está buscando nas academias: conhecimento?
Conhecimento é algo sem importância, que merece ser “saqueado”? E os autores,
os editores, todo o investimento feito para que aquela obra chegasse às mãos do
consumidor final, nada disso teve um custo, foi tudo de graça? E mais: aquele
autor (cantor, ator, diretor, escultor, pintor etc.) do qual somos fãs, mas tão
fãs, que vamos roubar o seu ganha-pão, pirateando suas obras maravilhosas, que
mudaram nossas vidas! Puxa, troquemos rápido, então, de ídolos; não mudamos
para melhor, não! Continuamos mesquinhos!
Definitivamente,
não consigo entender essa lógica... Se gosto e/ou preciso de algo, faço questão
de pagar por aquilo. Comprar uma cópia barata é o mesmo que passar um recibo de
incapacidade de conseguir algo superior. Se meu bolso anda meio vazio e não
posso comprar o “produto novo”, garimpo sebos e/ou bibliotecas públicas. No
limite, peço emprestado a alguém. É o mínimo. É uma questão de respeito ao
autor/artista.
E
o que mais me deixa abismado é saber que muitos “piratas” têm saído às ruas
para reivindicar por um país (até um planeta) livre de corrupção.
Por
acaso, corrupção (no sentido mais amplo da palavra) é só a “dos outros”?
sábado, 8 de março de 2014
Que dia é hoje?
Meu dia começou meio tumultuado... Nunca fui bom com datas, nunca. Se ninguém me cumprimentar, não sei nem mesmo que estou de aniversário, no Natal, nessa ou naquela outra data. É verdade! Quem me conhece, sabe que sou desse jeito desde sempre (ao longo da minha trajetória, amigas sempre cuidaram de carnês, títulos, consultas, tudo que tivesse prazos/datas).
E olhem que procuro me "localizar" no tempo. Por exemplo: só utilizo calendários com "aquele quadradinho"... Mas não é raro esquecer de mudar o tal marcador. Daí, posso passar séculos achando que ainda é o mesmo dia.
E hoje, vi na tevê que era dia não-sei-o-que-das-mulheres. Daí, me arrisquei a cumprimentá-las no Facebook.
Porém coloquei como 1º de maio.
E lá vieram elas (mulheres gostam de controlar datas):
"Mas não é maio!"
Ok, alterei para março. Mas não era só isso, era/é outro dia. Fui, então, pedir socorro ao calendário, e piorou: nele, aparecia "1/8".
Bem, o jeito foi colocar um e o outro também nos meus cumprimentos. Resolvido.
quinta-feira, 6 de março de 2014
O nome dela é GAL!
Rogério Tavares e eu acabamos de assistir a um show inesquecível da Gal Costa, no Sesc Pinheiros. Perdi a conta de quantas músicas ela cantou. A plateia saiu boquiaberta com a voz impecável dessa mulher iluminada. Repertório com pé lá, cá e mais além: passado, presente e futuro. Músicas que não "cabem" mais na seleção das rádios, nem da mídia em geral.
No entanto, logo depois, veio o balde de água fria...
Vindo para casa, por volta da meia-noite, paramos em um posto para reabastecer o carro, e aproveitamos para comprar alguns produtos na loja de conveniência. Ainda enfeitiçado com o canto da sereia, tentei travar uma conversa com a mocinha do caixa:
"Acabamos de sair de um show maravilhoso da Gal..."
"Quem?", cortou a moça, confusa.
"Gal, Gal Costa."
Ela sacudiu a cabeça e torceu o nariz para revelar sem o menor constrangimento:
"Nunca ouvi falar."
"Tá bincando..."
"Não mesmo. Quem é?"
"Só falta você me dizer que é da Bahia e não sabe quem é a Gal", arrisquei.
"Sou, sim, por quê?"
"Por nada, não".
Paguei e saí perplexo, com vontade tacar o saco de pão na cara dela.
Situações como essas me fazem perder o tesão de continuar escrevendo. Como já dizia minha mãe (lá nos "meus inícios"): "Escrever neste país, filho, pra quem?" E ela estava coberta de razão. Mas, como é da natureza dos pais ver mais adiante e alertar, a dos filhos é contrariar. Contrariei. Contrario até hoje.
No entanto, logo depois, veio o balde de água fria...
Vindo para casa, por volta da meia-noite, paramos em um posto para reabastecer o carro, e aproveitamos para comprar alguns produtos na loja de conveniência. Ainda enfeitiçado com o canto da sereia, tentei travar uma conversa com a mocinha do caixa:
"Acabamos de sair de um show maravilhoso da Gal..."
"Quem?", cortou a moça, confusa.
"Gal, Gal Costa."
Ela sacudiu a cabeça e torceu o nariz para revelar sem o menor constrangimento:
"Nunca ouvi falar."
"Tá bincando..."
"Não mesmo. Quem é?"
"Só falta você me dizer que é da Bahia e não sabe quem é a Gal", arrisquei.
"Sou, sim, por quê?"
"Por nada, não".
Paguei e saí perplexo, com vontade tacar o saco de pão na cara dela.
Situações como essas me fazem perder o tesão de continuar escrevendo. Como já dizia minha mãe (lá nos "meus inícios"): "Escrever neste país, filho, pra quem?" E ela estava coberta de razão. Mas, como é da natureza dos pais ver mais adiante e alertar, a dos filhos é contrariar. Contrariei. Contrario até hoje.
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