“Em pouco tempo descobri que os dias só iam passando para os que estavam do outro lado das grades da Febem. Tudo estanca quando se está enjaulado. Às vezes eu pensava que meu único e maior delito tinha sido ficar ali, paradão, esperando que tijolos fossem empilhados e muros se agigantassem em volta do que restava da minha infância. Era como se eu, por livre e espontânea vontade, tivesse me deixado devorar por aquele útero de cimento, grades de ferro e arame farpado, que fora construído de modo estratégico para dissolver o que ainda restava da minha ingenuidade de pivete de rua. Nesse sentido, a Febem era uma excelente escola. Lá dentro a gente aprendia na marra que, para se manter boa e inabalável, a sociedade precisa produzir em séries intermináveis a culpa e os futuros criminosos. Sem os marginais o mundo perderia suas máscaras. A Febem era uma fábrica de culpados.” [...] “Dia sim, dia não, quando consigo descolar uns trocos nas esquinas, compro algumas latas de tinta e saio por aí rabiscando desenhos e escrevendo estas memórias, que são minhas e também de muitos outros iguais a mim. Uma palavrinha deixada às pressas aqui, outra mais adiante. Frases soltas e certamente mal escritas que eu, bem no fundo, sei que jamais serão lidas. Ou ainda: talvez tudo isso seja mera ilusão... E se aquele tiro me pegou mesmo pelas costas, lá na calçada, quando eu fugia dos manos? Ora, se estou morto, então todo o resto foi e ainda é apenas um delírio, um sonho bom que veio pra me salvar do medo, da dor, do desperdício de ter vivido tão pouco. Mas como saber se ainda estou vivo ou se já morri, se todos nas calçadas continuam olhando pra minha cara de fome e pros meus trapos sujos e não enxergam nada?” (Dois trechos do meu romance juvenil MEMÓRIAS DO ASFALTO, lançado pela Desatino em 2007. Temas e discussões ainda atuais. Infelizmente, talvez nunca saiam dos noticiários do Brasil.)
Os da geração dos meus pais costumavam ter armas de fogo em casa. Naquele tempo, como dizem, a violência urbana não era tão assustadora quanto hoje e a educação (principalmente, a pública) tinha qualidade. Tios, vizinhos, amigos das famílias possuíam armas de fogo em casa. Era muito comum ter arma em casa (legalizada ou não). Também, naquele tempo, não havia tanto uso de drogas ilícitas. Ah, sim, o consumo de álcool também era comum. Nos lares, também era comum pais exagerarem nos tragos e, cheios de “razão”, voltarem para casa com arma em punho para infernizar esposa e filhos. Mas essas tragédias familiares, embora bem conhecidas, eram veladas, ninguém se atrevia a intervir. Não se denunciava, muitos cresciam com isso, calados, cheios de traumas. Outros, infelizmente, nem cresciam. Sim, também era bem comum as crianças terem revólveres, pistolas, espingardas e metralhadoras de brinquedo. Daí veio a proibição de armas de fogo (reais ou de brinquedo) e de outras drogas que foram surgindo (cara geração tem as suas válvulas de escape, sempre foi assim). E a educação (principalmente, a pública) foi se deteriorando. Nisso, pais, talvez mais “amorosos”, mas cada vez menos comprometidos com o ofício de educar seus filhos, passaram a culpar a escola pela falência da educação. A escola pôs a culpa no governo. Conservadores e fanáticos religiosos demonizaram a televisão. E assim por diante. Porém ninguém ainda pôs a mão na consciência para fazer o “mea culpa”. O resultado: cadeias abarrotadas e escolas entediantes, vazias. Cadeia, a princípio, seria para corrigir, tentar ressocializar os “desgarrados”. Mas não, foi transformada em depósito de rejeitados, “universidade” para aprimorar bandidos. Escolas? Elas perderam a graça, não sabem mais como manter a atenção e o interesse dos alunos. Bem, se chegamos a esse ponto, é melhor que o discurso (para ser menos distorcido e hipócrita) seja: “Sim, falhamos enquanto sociedade e não tem mais volta; o melhor é entregar uma pistola para cada um cuidar de si. Os melhores atiradores sobreviverão.” Mas que “melhores” serão esses? Sinceramente, não sei se quero estar lá, na outra ponta, entre esses “melhores”; não me vejo na pele de alguém com o "direito" de matar uma pessoa. Ainda que por defesa ou acidente, quem mata ou matou carregará um cadáver nas costas para sempre. Nunca consegui concordar nem mesmo com caça a animais. Sim, talvez eu esteja fora de contexto e seja agora uma pessoa “antiquada”, já fora dos atuais catálogos sociais urbanos que, usados nos tempos da barbárie, voltaram a ditar as “novas” regras de comportamento (e de sobrevivência). Um parêntese: Da minha adolescência, lembro de um colega nosso de escola, filho de uma querida professora, cuja família tinha arma de fogo em casa. Um dia, essa família recebeu a notícia de que aquele nosso colega tinha estourado os miolos. E ele havia feito isso com a arma que a sua família tinha em casa. Claro, mesmo que não tivesse arma de fogo ao alcance da mão, o jovem teria buscado outra forma de morrer. Quem quer mesmo se matar, sempre encontra um jeito. Mas foi com a arma que estava em casa que ele cometeu o suicídio. Imagino que aquela família jamais esqueceu a tragédia e talvez se culpe por ter "facilitado" a morte de alguém tão amado. É bom pensar nisso antes de sair por aí, defendendo o porte de armas e pensando que a bala só atingirá o "inimigo". Não, a história pode ser outra.
A vida de um casal (qualquer tipo de casal) talvez possa ser resumida em: Bodas de Atração Bodas de Sedução Bodas de Conquista Bodas de Desejo Bodas de Compartilhamento Bodas de Resignação (ou Resiliência) Bodas de Cárcere Bodas de Tédio e Bodas de Separação (ou, no extremo, de Sangue) Por causa dessa última fase (às vezes, difícil de ser evitada) é que sou contra a qualquer tipo de arma em casa. Facas e garfos, somente de plástico. Vidros, loucas e afins, nem pensar. Baratas? Danem-se as baratas e os ratos! É melhor se acostumar com eles do que ter veneno em casa. Dormir: em quartos separados (trancando bem a porta). Também é aconselhável o casal não morar em andares muito altos e passear apenas em lugares públicos (de preferência, com muita gente em volta e um posto policial por perto). Que me perdoem os iniciantes e os românticos, mas é assim mesmo. O.k., não vou ser tão pessimista. É claro que não é assim com todos os casais. Apenas com quase todos. Melhorou?
Ontem, durante uma ótima entrevista no Conversa com Bial, um importante editor explicou que o livro perdeu o sentido de valor, e que isso é um dos principais fatores da eterna falta de leitores no país (realidade diferente da de outras partes da América Latina). Aqui, por exemplo, para ir ao cinema (hoje, quase todos em shoppings ou bem distantes de casa) é preciso pagar, além do ingresso, também o valor do estacionamento (ou da locomoção). Aquele passeio, ou aquela diversão, durará, no máximo, duas horas. Pelo mesmo (ou até menor) valor, compra-se um bom livro e a leitura demandará dias, semana(s), até mais tempo. Estudantes universitários também usam a mesma desculpa para justificar as cópias feitas durante os cursos de graduação: "Livro devia ser mais barato". Certa vez, num bate-papo com professores e estudantes em uma conhecida faculdade de São Paulo, rebati essa "argumentação", dizendo: "Pelo visto, quase todos aqui vêm de escolas particulares. Durante os ensinos fundamental e médio, os pais de vocês foram obrigados a comprar material escolar e toda aquela pilha de livros que, no final do ano, não serviriam para mais nada. No entanto, agora, quando vocês teriam que investir em obras que formarão a biblioteca imprescindível para o exercício da profissão que escolheram para o resto da vida, preferem ir para o boteco beber cerveja nos finais de semana. Em vez de comprar livros, fazem cópias de capítulos. Em vez de ler a obra inteira, leem trechos para as provas – muitas vezes, infelizmente, incentivados pelos próprios professores. Eu, sendo franco, quero ser atendido por um médico que não se formou lendo trechos de medicina, porque não terei uma doença pela metade e precisarei de um tratamento completo para poder me curar. E assim por diante com advogados, engenheiros etc."* Riram do que eu disse. Constrangidos, mas riram, sim. Pois é... Quando um povo acha que o livro é caro demais e que o boteco vale mais a pena do que ler, qual futuro terá? *Não vou ser hipócrita; também copiei livros na faculdade. Mas os principais, comprei. Sem grana e desempregado na época, não sei como consegui, mas comprei, sim (ou peguei emprestado na biblioteca). Os capítulos lidos em cópias sempre me deixavam frustrado; a informação contida naquela obra (e o pensamento do autor) não se completava. Mais adiante, sempre que possível, comprei a obra completa e li – até mesmo para poder editar outros autores que utilizaram aquelas referências bibliográficas.
Era 1969, e o teatro paulistano apresentava uma missa profana em plena ditadura militar. O texto, do arredio Jean Genet: "O balcão". Direção lúdica e futurista do franco-argentino Victor Garcia. Na produção e em cena: Ruth Escobar. Ela teve que "implodir" palco e plateia do seu teatro na Rua dos Ingleses para dar espaço à montagem deste argentino genial (e tbém "insano", no melhor sentido da palavra). A confecção/concepção dos cenários foi de Wladimir Pereira Cardoso. No elenco, dezenas de atores (alguns que se consagrariam mais tarde, como Célia Helena, Jofre Soares, Lilian Lemmertz, Ney Latorraca, Paulo César Pereio, Raul Cortez, Carlos Augusto Strazzer e Teresa Rachel, entre outros). Um grande bordel com arquétipos do poder: bispo, chefe de polícia, general, rebeldes etc. Visto dos bastidores, o poder é um grande cabaré, um palácio para realizar sonhos impossíveis e satisfazer desejos mundanos. Sempre foi assim, nunca mudará. O povo, nessa montagem a plateia assistia a tudo em vários andares/ângulos, foi transformado em "voyeur", aquele que espia, se comove, se excita e, de vez em quando, se revolta (porém raramente interfere para mudar a "trama"; precisa da cena como ela é para poder continuar incógnito no seu sofrimento ou deleite). No bordel/poder, todas as personagens têm que representar muito bem os seus papéis. Assim, as engrenagens, dentro e fora do sistema, funcionam perfeitamente. "O JUIZ [ao carrasco e à puta que faz o papel da ladra] - Bem. Até agora tudo bem. Meu carrasco espancou com força... pois também ele tem sua função. Estamos ligados: você, ele e eu. Por exemplo, se ele não espancasse, como é que eu poderia impedi-lo de espancar? Portanto, deve bater para que eu intervenha e prove minha autoridade. E você, deve negar para que ele bata cada vez com mais força." As interpretações do elenco da época podem parecer exageradas (para os padrões atuais), mas a encenação continua beeeeem à frente daquele tempo e, principalmente, dos dias de hoje. Ver imagens como estas chega a me dar vergonha por termos voltado às cavernas (social, cultural e politicamente). Sempre quis ver a montagem. Agora, pelo menos, vinte e poucos minutos estão disponíveis neste link:
Morros cariocas ameaçam descer e Tuiuti põe o dedo na ferida de muitos. Praticamente, a resposta vem no dia seguinte: milicos nas ruas do Rio. Esse é um claro sinal de manobra política, mais para abafar a derrota das reformas na previdência do que uma preocupação real com a violência. Perigosa, muito perigosa essa manobra. Mas, como nos anos 1960, a classe média pediu novamente “ordem e progresso”. Alguns pobres iludidos, também. Em país maduro, não é governo ou milico, mas toda a sociedade se comporta com seriedade. Não temos isso aqui, talvez nunca tenhamos. Recentemente, em uma entrevista para a TV, um europeu disse que em países como a França, por exemplo, é clara a divisão: todos sabem que os ricos comandam tudo – portanto, são os verdadeiros inimigos do povo. Com isso em mente, a população sabe como agir para impor limites à exploração. Já em países subdesenvolvidos, a classe média, além de ser inimiga dos pobres, tem a ilusão de fazer parte da classe dos que sempre mandaram em tudo. Sem união, classes média e baixa perdem a força de luta por direitos; são facilmente controladas. Os discursos para atacar a luta por igualdade de direitos é antiga, ainda ouvimos brados insanos de “o Brasil não será uma nova Cuba”. Depois do impressionante desenvolvimento econômico da China (o salário mínimo é maior que o do Brasil e o gigante vermelho ataca o mundo com a maior arma do capitalismo: o consumo desenfreado), e ainda essa velha ladainha de “comunismo miserável e nefasto”? Ora, a maior parte das pessoas que conheço é de aposentados e assalariados, poucos conseguiram adquirir bens muito significantes ao longo da vida, e todos ainda morrem de medo de perder o "quase nada" que conseguiram juntar. E foi no regime comunista que isso aconteceu? Não, nunca tivemos um regime comunista. Aliás, nem se sabe direito o que é viver em um regime comunista; não temos referências concretas, apenas o que lemos ou ouvimos dizer. Boatos, apenas boatos. Asneiras muito fáceis de difundir em um país com um índice alarmante de analfabetos funcionais (em todas as esferas da sociedade). O que todos vivenciamos é um sistema político e econômico perverso e corrupto há séculos: o capitalismo mesquinho e mambembe. E não é só aqui que isso existe. Semanas atrás, em Fort Lauderdale–Hollywood International Airport (Miami), um funcionário credenciado nos pediu propina para melhor despachar as nossas bagagens. E, mesmo assim, romperam sorrateiramente os lacres de uma das malas. E temos outros (maus) exemplos de gente que também quer levar vantagem por lá, como acontece aqui. Assim, penso que o melhor caminho é o de esquecer esse blá-blá-blá de “ameaça comunista” e tentar arrumar a nossa casa. Não é uma maravilha de casa, nunca foi, talvez nunca seja, mas é a que temos. Colocar milicos nas ruas é tentar apagar o incêndio jogando areia no fogo: pode abafar por um tempo, mas a labareda surgirá em outro lugar. Atacar não é o mesmo que enfrentar o problema. Com inteligência, não com força, é que se costuma resolver questões complexas como o avanço do crime organizado. O crime não se organizou do dia para a noite, isso demanda tempo, facilidades e ajuda de todo tipo. Em maior ou menor grau, todos nós somos cúmplices desse avanço da bandidagem (que também existe em todas as esferas sociais).
Olhando lá do futuro, imagino que alguém vai ver que o grande problema da humanidade foi a briga insana com os relógios e calendários. Quando crianças, querem ser adolescentes. Quando adolescentes, querem ser adultos. Quando adultos, voltam a agir como crianças/adolescentes. Quando velhos, começam a “malhar” o corpo que nem condenados, espichar a cara até não poder mais e arranjar amantes bem mais novos para disfarçar a idade. Nesse descompasso, em vez de viver de verdade, todos interpretam personagens tragicômicos (muitas vezes, caricatos). Para piorar a situação, agora querem aumentar a expectativa de vida para além dos 100 anos. Mas pra quê? Morra na hora que tiver que morrer, diabo! De preferência, discretamente, sem fazer tanto alarde! Pare de ser ridículo!
Os Maias podem ter se enganado: às vezes, tenho a sensação de que o “mundo” acabou para mim entre agosto e setembro de 2013, naqueles 30 dias de internação, quando fui submetido a duas neurocirurgias de alto risco. Morri, e meu purgatório particular é ter vindo parar neste tempo estranho. Não me reconheço nele, nem ele me reconhece mais. Agora, somos dois estranhos. Será que morrer é isso: passar para uma realidade paralela (e bem mais absurda que a anterior)?
Não sei se essas listagens são verdadeiras, mas dá para refletir um pouco sobre a diferença, não da “qualidade” artística, mas do público. Se a segunda lista enumera esses outros artistas do momento, é porque a sociedade foi se tornando mais acomodada intelectualmente, imediatista e, digamos, de “gosto” mais rasteiro? Sinceramente, não sei responder (nem quero). Ora, o artista oferece o “peixe” que ele tiver para vender, compra quem quiser. Se, num mercado de peixes, agora o consumidor preferir “sardinha”, que se farte com sardinhas. O menos importante é a sardinha oferecida no mercado ou servida no prato, mas o movimento que os cardumes farão para sobreviver aos ataques dos predadores e, talvez, subverter a ordem estabelecida. O tempo fará a seleção natural. E tudo se ajeitará daqui a pouco. O fast-food acabou com a alta culinária? O prêt-à-porter acabou com a alta-costura? O rock and roll acabou com a ópera? Os quadrinhos acabaram com a prosa? A telenovela acabou com o teatro ou com o cinema? Não. Cada gênero em seu contexto e com o seu público. Cada geração tem as suas preferências. O que não acho bacana (nem saudável) é o patrulhamento. Pois que cada um faça o que bem entender e tente ser feliz dentro daquele seu universo de possibilidades. O meu é o meu. O dos outros, que continue com os outros. Para encerrar esta minha “profunda reflexão” de início de semana, deixo aqui um desabafo da grande “filósofa” Dercy Gonçalves: “Se Deus, que é tão sábio, deu um c... para cada ser, por que diabos eu vou querer cuidar do c... dos outros ou deixar que cuidem do meu c...? Ah, que todos vão tomar no c... deles e me deixem viver em paz com o meu c... de velha!” Obs.: na primeira lista, por exemplo, eu jamais colocaria um ou outro artista. Mas é questão de gosto e de referências pessoais. Apenas isso. Não tem cabimento criar uma guerra mundial por causa disso, né? Tem coisa bem mais importante para ser discutida.
Já fazia algum tempo que eu não sentia mais tesão em ver os filmes anuais do Woody Allen, aqueles com verbas/patrocínios para mostrar cidades pelo mundo, que mais pareciam um longo e pueril anúncio de turismo. Que bom que o diretor voltou ao seu “reduto” existencial para mostrar cenas do cotidiano. É como se o cineasta reencontrasse suas lentes dos tempos de Mia Farrow, a atriz e ex-mulher dele que dizem ser muito temperamental e problemática. Ótimo que seja uma pessoa temperamental e problemática, pois essas são bem mais interessantes e inspiradoras que as pessoas “normais”. Neste novo filme, embora Allen cite nas falas o dramaturgo Eugene O’Neill (sempre cita vários criadores em seus filmes), vi mais outro grande autor em Roda Gigante: Tennessee Williams... nas relíquias de um suposto passado de glória e no delírio etílico da garçonete/dona de casa entediada e adúltera, personagem interpretada pela sempre competente Kate Winslet. Isso me lembrou muito a conturbada Blanche DuBois, da peça Um bonde chamado desejo, do Williams. Os demais atores estavam, como sempre, bem dirigidos por Woddy Allen. Vibrei com as discussões realistas e a dramaticidade pungente do filme. Assim como na vida real, não há um final feliz em Roda Gigante, porque não existe mesmo final (feliz ou infeliz) na vida das pessoas. Vida é como esse brinquedo dos parques: uma hora põe a gente lá no topo, depois faz quase arrastar os pés no chão. E volta a subir... Mas quem quiser, pode descer ou pular da roda em movimento. Cada um que decida por si a sua hora de parar de “brincar”. Mas a roda, como se nada tivesse acontecido, continuará em movimento. Claro que queremos (ou precisamos) acreditar que tudo vai parar quando descermos... Só que nada vai parar, não. Nem deve. A roda gigante da vida dos outros continuará girando. E o esquecimento se encarregará do resto.